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Uma novela chamada chantagem

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Lá se vão dez longos anos.... O ano de 1995 foi um ano terrível para a IURD. A Globo vinha massacrando a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) através de uma terrível campanha difamatória com matérias sistemáticas veiculadas no "Fantástico", outras matérias esparsas em seus noticiários, além de programa específico de uma hora de duração, atacando frontalmente a IURD. E ao mesmo tempo havia lançado uma minissérie chamada "Decadência", tendo como enfoque principal o curandeirismo e o charlatanismo religioso, protagonizada por um pastor evangélico corrupto vivido pelo ator Edson Celulari, que fazia referências nada sutis a todas as igrejas evangélicas, e em especial à IURD.
As respostas da "Universal" foram imediatas, embora de pouco poder de fogo. A Folha Universal passou a repercutir matérias como: "Desmoralização e arbitrariedade no jornalismo da Globo", "Desespero: a "fantástica" Globo está em decadência", "TV Globo admite: Universal é a igreja que mais cresce". Mas tudo isso era muito pouco. Tinha pouco alcance. Ficava muito restrito aos meios evangélicos. Não tinha repercussão fora do meio da própria Igreja Universal. Até que os pastores J.Cabral e Ronaldo Didini me procuraram e começamos a fazer reiterados programas na Rede Record (25ª Hora e Despertar da Fé) e escrevendo na própria Folha Universal, dando um pesado troco a altura na Rede Globo.
Imediatamente o assunto foi para a grande imprensa com enorme estardalhaço. Grandes jornais como Jornal do Brasil e Folha de São Paulo passaram a abordar o assunto até de uma maneira isenta (o que não é normal na grande imprensa, quando se trata de campanha difamatória). E com isso o episódio ficou conhecido como "Guerra Santa" ("Globo e Edir Macedo travam disputa no ar"). Até que as revistas semanais (Veja e Isto É) não tiveram mais como fugir ao assunto, e não economizaram papel e tinta para tratar da falada "Guerra Santa no ar", com longas matérias e direito até a capa especial sobre a briga IURD x REDE GLOBO.
A "Veja" de setembro de 1995, sob o título "Guerra Santa no vídeo", foi mais precisa sobre o assunto ao dizer: "Além dos debates do 25ª Hora, a Record prepara uma resposta à altura para "Decadência". Para isso foi convocada a principal estrela desses debates, o escritor Roméro da Costa Machado, ex-funcionário da Globo e autor do livro "Afundação Roberto Marinho. Roméro está escrevendo uma minissérie cuja sinopse já se encontra pronta. Ele próprio resume o que escreveu: "Será a história de um jornalista medíocre que herda um jornal falido do pai, faz um pacto com o golpe armado pela CIA, associa-se à ditadura, funda uma emissora de TV, e às custas de chantagem enriquece loucamente."
Complementando, diz a Veja: "Existe a idéia de produzir essa minissérie sim", endossa o diretor de programação da Record, Eduardo Lafon. "É uma história que, por coincidência, faz lembrar o Roberto Marinho."
Esse era o ponto exato do qual não se poderia mais voltar. Até porque a Globo só respeita pancada e quem pode dar pancada. Porque do resto, dos subservientes, ela passa por cima, sem dó nem piedade. Entretanto, apostando todas as fichas em suas amizades e no seu poder de negociação, Eduardo Lafon (Diretor da Record) negociou com o Boni (Vice-presidente da Globo) um armistício, um plano de paz, em que Record e Globo não mais se atacariam. (Na santa inocência do Lafon...)
Conhecendo a Globo como conheço, fui contra esse armistício, pois não existe paz com a Globo sem que antes existam mísseis poderosos apontados contra a Rede Globo. E de fato, para ter certeza de que não existiriam tais mísseis da Record (IURD) contra a Globo, o "plano de paz" (do Boni) exigia de Lafon o meu afastamento, como uma espécie de demonstração de boa vontade na celebração da paz.
Eu ainda disse ao Lafon que ele iria receber o prêmio Nobel de inocência mundial, uma vez que - cedo ou tarde - sem mísseis poderosos, a Globo ainda se voltaria contra a Record. Dito e feito. Após a morte do Lafon e do afastamento do Boni, na primeira oportunidade, a Rede Globo voltou-se não só contra a Record (como no caso da compra da emissora), mas também contra a IURD, e principalmente contra os políticos evangélicos como Marcelo Crivella, que teve sua candidatura altamente prejudicada pelos noticiários da Globo.
Enfim, a Globo é isso, sempre isso, não muda nunca... Chantagem, como na novela.

Tribunal de contas enterra sonho da Globo

por Roméro da Costa Machado, escritor.

A Globo sonhava em conseguir livrar-se de um passivo de cerca de três BILHÕES de dólares (quase dez BILHÕES de reais) através de articulações políticas em que o BNDES seria usado para socorrer e tirar a Globo do terrível estado de penúria em que se encontra, assemelhado a um torpor pré-falimentar. Aliás, mais do que sonho, esta era a única e toda a esperança da Globo para fugir do desastre empresarial em que se meteu por conta da aventura da tv a cabo, num delírio megalomaníaco de dominar o Brasil através do sistema "a cabo". (Só mesmo um gênio muito incompetente e arrogante para desafiar as regras de mercado mais elementares e supor que iria descobrir a pólvora já acesa e reinventar a roda sem ninguém perceber)
A chamada TV a cabo, por si só já é uma aventura gigantesca, pois não só usa uma tecnologia ultrapassada (cabo), quando a tendência é "wireless" (sem cabo), como ainda tem que contar com a complacência e boa vontade dos governos locais das grandes capitais para facilitar a implantação do caríssimo sistema de cabeamento. Sem falar que em um país gigantesco como o Brasil o cabeamento é absolutamente inviável. E mesmo nas grandes capitais somente três ou quatro delas mostram-se economicamente viáveis. Razão pela qual o sonho da tv a cabo foi o grande delírio que empurrou a Globo ladeira a baixo, arrastando as empresas lucrativas neste sonho mirabolante de arrogância e megalomania. E que somente poderia ser salvo por um ato de misericórdia do governo, jogando dinheiro pela janela, a fundo perdido - o único que poderia colocar dinheiro bom em cima de um projeto tão ruim.
Pois bem, numa decisão histórica, bem recente, publicada no Diário Oficial do dia 13 de novembro de 2004 (êta dia treze bom...), o Tribunal de Contas da União, por unanimidade, simplesmente soterrou e fulminou todo e qualquer sonho da Globo em aproveitar-se do BNDES para tapar seus rombos de má administração e gestão ruinosa.
O relatório publicado no Diário Oficial, que na realidade mais do que um relatório é uma decisão unânime do Tribunal de Contas da União, determina que o presidente do BNDES cumpra uma série de exigências, dentre as quais que o BNDES deverá prioritariamente resguardar os interesses do banco, antes dos interesses de terceiros. Indo mais além, determina o TCU que o BNDES não pode liberar novos recursos na tentativa de recapitalizar a NET, vez que a os recursos devem vir de outra iniciativa que não o BNDES. E como uma pá de cal sobre um corpo agonizante, quase defunto, arremata o Ministro: "O BNDES deve se afastar da participação acionária da NET".
Mais claro e mais cristalino do que isso... impossível.
Não bastasse a clareza da exposição do relatório, quase que como uma maldade, aprofunda ainda mais a questão ao determinar que sejam encontradas soluções imediatas e adequadas para reequacionar as dívidas pendentes da NET, substituindo as operações cujas dívidas estão expressas em dólares americanos (cuja variação de câmbio quase que inexiste, ou quando existe é favorável à Globo, pois o dólar ao invés de subir do patamar de R$3,00 vem caindo dia após dia) para transformar as dívidas em moeda estrangeira em dívida em moeda nacional. Ou seja, ao invés de deixar de pagar por uma dívida cuja variação de dólar está caindo, a dívida passa a ser convertida em reais, pagando-se os altos juros e variações do mercado brasileiro.
Dizer que isso é um pesadelo para a Globo é muito pouco, pois é muito pior, infinitamente pior do que um "simples" pesadelo ou de uma "simples" morte. É assistir, em vida, impotente, e sem nada poder fazer, ao desmoronamento e morte gradativa e gradual de um "império" que até bem pouco tempo parecia inabalável e indestrutível. E ainda ter o que restava de sua credibilidade enxovalhada pela determinação do Ministro ao instruir à unidade de controle externo do Tribunal de Contas da União que "acompanhe toda a operação, usando seu poder de cautela, para evitar qualquer prejuízo ao erário."
Foram-se os tempos em que a Globo mandava e desmandava neste país.

Riocentro e Gasômetro

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Dando seqüência ao artigo de 28 de junho de 1993, publicado na Tribuna de Imprensa, hoje vamos resumir mais alguns dos escândalos da próspera associação criminosa da Rede Globo com a ditadura militar iniciada em 64, que são os casos do Riocentro e do Gasômetro.
Passados cerca dos quatro primeiros anos da ditadura sem que de fato fosse combatido a sua aparente causa (combater a corrupção e a subversão), os militares não tinham prendido nenhum grande corrupto e a tal subversão era somente uma grande neurose que dominava a ideologia anticomunista dos quartéis (incutido pelos representantes americanos da CIA que viam perigo em livros, filmes, e até no ballet do teatro Bolshoi, como sendo tudo fruto de uma "ideologia exótica") eis que para revigorar, manter e justificar o prolongamento da ditadura militar eles precisavam inventar algo para colocar a culpa nos tais perigosos "subversivos" (que segundo a lenda, comiam criancinhas em Moscou) e com isso prolongar por muitos e muitos anos a já fracassada ditadura militar.
O sórdido plano dos militares era provocar uma grande matança de comoção nacional (isso mesmo, matança, chacina) e colocar a culpa nos subversivos comunistas. E a data e local propício para isso seria a festa (lotada) com entrada gratuita para celebrar o dia do trabalhador, a ser realizado no Riocentro.
Enquanto estava havendo o show dentro do Riocentro, os militares fecharam as portas de saída pelo lado de fora, e pretendiam explodir e tacar fogo no Riocentro, fazendo com que as pessoas do lado de dentro (o povo) entrasse em desespero e acabasse morrendo pisoteado, pelo pânico, pelo terror, pelo confinamento cruel e covarde.
Entretanto, a justiça divina foi mais poderosa e fez explodir as granadas no colo dos dois militares que estavam no carro Puma e que iriam chacinar tanta gente.
Esta história só foi possível ser contada e desmascarada graças à bravura do Coronel Dickson Grael que a tudo denunciou, inclusive e principalmente as mentiras da Globo pelo Jornal Oficial Nacional, que falsificando notícia e fabricando verdades, dava uma versão fantasiosa para o escândalo da chacina do Riocentro, totalmente diferente do que realmente tinha acontecido, e por muitos e muitos anos a Globo sustentou, a mando dos militares, que a tentativa de chacina do Riocentro jamais aconteceu.
Muito semelhante ao escândalo do Riocentro, e tão terrível quanto, foi a tentativa de explodir o gasômetro do Rio de Janeiro, mandando pelos ares mais de um quarteirão, ceifando inúmeras vítimas inocentes, para mais uma vez colocar a culpa nos comunistas subversivos e justificar mais anos e anos de uma ditadura "protetora".
E mais uma vez este plano de crime de chacina foi evitado e só foi descoberto graças à bravura do Capitão Sérgio-Macaco. Pois pela versão oficial dos militares, sustentado como verdade pela Rede Globo, este incidente jamais aconteceu ou teria acontecido.
Foram preciso anos e anos sendo ridicularizado pela Rede Globo, como sendo um desequilibrado mental, para que finalmente a verdade aparecesse. E somente quase no final da vida o bravo Capitão Sérgio Macaco (perseguido, humilhado e punido pelos próprios militares) pôde ver finalmente contada a sua versão, a verdadeira história do terrível e criminoso incidente. E quando as forças armadas finalmente foram obrigadas judicialmente a repor e reparar todas as injustiças feitas contra o bravo Capitão Sérgio Macaco, ele já estava no fim da vida e não mais podia usufruir da "ajuda".
Estes dois casos são só uma pequena amostra do quanto a Globo interferiu na vida da população brasileira, o quanto mentiu, o quanto falsificou verdades e o quanto foi corrupta e suja em troca de dinheiro vil, pagamentos estes que foram a base de prosperidade da Rede Globo como um império surgido da lama, da falsificação de notícias e do dinheiro sujo da ditadura militar.

Operação Bandeirantes OBAN

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Dando seqüência ao artigo de 28 de junho de 1993, publicado na Tribuna de Imprensa, hoje vamos resumir um dos escândalos mais repulsivos da próspera associação criminosa da Rede Globo com a ditadura militar iniciada em 64, que é a chamada Operação Bandeirantes ou OBAN.
Durante toda a sua existência, a Globo jamais denunciou, jamais reportou jornalisticamente ou jamais fez citação aos crimes relativos às torturas e mortes ocorridas nos porões da ditadura militar. Ao contrário, em benefício da sua prosperidade financeira, sempre silenciou, sempre se acumpliciou com os crimes da ditadura militar e sempre iludiu e enganou o povo fabricando verdades aos interesses e sabor dos militares que queriam se perpetuar no poder.
Um dos mais nauseabundos casos foi a chamada Operação Bandeirantes (OBAN), onde as pessoas eram torturadas até confessarem o que sequer sabiam, e depois, sem ter mais qualquer valia ou serventia, eram levadas de avião, e jogadas em alto mar, com a barriga aberta a sangue frio, de modo a não boiarem e afundarem rapidamente, para jamais serem encontradas por seus amigos e parentes. (São os incontáveis "desaparecidos" da ditadura militar)
Não bastasse a crueldade da tortura e morte... Como a Globo retratava jornalisticamente estes fatos de tortura e morte?
Falseava, mentia, iludia o povo. Inventava mil histórias mentirosas, fabricava mil "verdades", apresentando os militares como sendo brasileiros honrados e democratas, incapazes de qualquer ato antipatriótico, simplesmente reagindo aos perigosos, cruéis e sanguinários subversivos. Enquanto, neste meio tempo, o povo era torturado, morto, quando não apresentado em cadeia nacional pela TV Globo como sendo um perigoso "terrorista" de ima ridículo ideologia estranha (não-americana).
As cenas de televisão apresentadas pela Globo eram terríveis, como num filme de terror ou num dos cruéis e extremamente verdadeiros e realista filmes de Costa Gravas, pois além da Globo não relatar o que acontecia, ainda torcia e destorcia a história completamente. Era comum a Globo apresentar, em horário nobre, um pobre coitado, visivelmente "preparado" após uma extenuante tortura, confessar, vergonhosamente, que estava arrependido dos crimes que "eles" (os militares) inventavam para serem confessados pelos torturados.
Mas o mais nojento e repulsivo era como a Globo fabricava a verdade com detalhes. Pois paralelamente às "confissões" apresentadas em horário nobre, ainda justificava claros e evidentes assassinatos por tortura, como os de Vladimir Herzog, Rubens Paiva, Fiel Filho, Stuart Angel, e outros, como tendo sido suicídio, morte natural, desaparecimento e etc, sempre amparado por laudos médicos de legistas do terror, como Dr. Harry Shibata e outros menos badalados, que davam um cunho profissional de aparente seriedade a todos os "acidentes", "suicídios" e "desaparecimentos", jamais tratados como assassinatos por tortura e, cuja verdade como notícia a Globo tratava de fabricar.
Hoje, é repugnante, vomitável, ter que assistir a Globo apresentando-se como uma empresa séria, sem máculas e vínculos com a criminalidade e com o obscurantismo, como se fosse um exemplo de jornalismo sério. Quem não a conhece que a compre.
O jornalismo da Globo sempre foi sujo, mentiroso, criminoso, lacaio, servil. Um balcão de negócios. Razão pela qual o povo cunhou - com muita propriedade - um slogan irrefutável: "O povo não é bobo. Abaixo a Rede Globo". E isso não nasceu no seio do povo por acaso.

O supermercado Globo

por Roméro da Costa Machado.

Justiça seja feita, o nome "supermercado" aplicado ao que a Globo chama de jornalismo, é da lavra do mais antigo jornalista em atividade com coluna diária, Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, e a ele deve-se royalties por este batismo. Aliás, mais do que um batismo da Globo como "supermercado", Hélio é implacável quanto as origens da Globo, que não só surgiu, viveu e prosperou à sombra da ditadura militar como sempre foi um enorme balcão de negócios onde tudo é negociável, com preço para publicar e preço para não publicar.
Surgida junto com o golpe militar, em 1964 (e não 1965 como quer fazer crer a Globo pelas festas que planeja para os 40 anos em 2005 - que na realidade são 41 anos em 2005, pois os 40 anos foram completados em 2004), a Globo, mais do que um simples "supermercado" - onde tudo é negociável - foi um grande instrumento de auxílio à repressão política. Perseguiu jornalistas, perseguiu políticos, perseguiu adversários, perseguiu, perseguiu, perseguiu. E no rastro dessa perseguição, um testemunho de um dos perseguidos é bastante esclarecedor: o registro feito pelo jornalista Paulo Francis no jornal alternativo "O Pasquim", na edição de janeiro de 1971 (auge da ditadura militar), a respeito de Roberto Marinho.
Diz Paulo Francis, em seu jeito duro e lacônico, sobre o "doutor" Roberto Marinho: "Vou escrever sobre porcaria. Uma expressão pornográfica: Roberto Marinho. RM - Abreviemo-lo ao máximo. Esgoto. Esgoto é uma imagem inexata de RM, porque até o esgoto tem uma útil função social. Roberto Marinho golpeou-nos pelas costas. A marcha ré é o seu forte. Tomamos uma vacina anti-rábica. De "O Globo" só acreditamos na data do cabeçalho, devidamente cotejada com a folhinha. Mas, e nossas famílias, despreparadas para o ataque raboso dessa criatura? O revide exato seria a vida íntima de RM. Descer à vida íntima de RM seria cair na pornografia. Está aí, enfim, uma característica humana de RM: a imbecilidade. Nunca escrevi com tanto nojo de um assunto. Carlos Lacerda demonstrou que RM pagava só 300 contos de imposto de renda, há poucos anos, e ainda pedia devolução de trocados, quando não se declarava isento. Mas isso é uma página, não uma enciclopédia de crime. Que continue e em expansão é um caso de polícia. Literalmente, RM é feito daquela matéria que a maioria das pessoas expele, mas que nele é corpo, e com perdão da palavra, alma. Só sabe mentir. Registro o fato apenas para que historiadores livres do futuro possam usá-lo no contexto certo."
Pois então que fique o registro para todo o sempre, vez que seu uso é absolutamente dentro do contexto. Que fique o registro, para que ninguém se iluda com essa farsa de propaganda a respeito do Jornal Nacional e a comemoração dos seus 35 anos, como se o jornalismo da Globo fosse um jornalismo sério e honrado. Uma vez que pelos registros, conforme citado anteriormente, a única coisa confiável no jornalismo da Globo é a data, desde que conferida antes com o calendário.
Que fique o registro, para que ninguém se iluda com a propaganda bibliográfica do livro escrito pelo empregado Pedro Bial, que destaca Roberto Marinho como um grande homem, e acima de tudo homem sem aspas e com H maiúsculo, quando o artigo do Paulo Francis aponta no sentido contrário e é bastante explícito quanto a este assunto, ao falar ironicamente em: "pelas costas, marcha ré é o seu forte e ataque raboso."
Que fique o registro, para que não se pense que a repulsa à Globo e seu jornalismo de ocasião seja uma coisa gratuita ou dirigida. E que se registre que o jornalismo da Globo não só é mentiroso, ocasional e casuístico, como coroa a Globo como o grande "supermercado", o balcão de negócios, conforme implacavelmente batizado pelo brilhante jornalista Hélio Fernandes. E que fique o registro histórico para que diante de mentiras de propaganda adocicadas sobre o que possa ser a Globo ou quem foi Roberto Marinho, se possa ter o recurso da memória e rejeitar essas infames publicidades que em nada retratam fielmente o que seja a Globo e Roberto Marinho.

O Retrato de Roberto Marinho em Preto e Branco

por Roméro da Costa Machado, escritor.

No auge da briga do livro "Afundação Roberto Marinho", em 1988, e nos primeiros anos seguintes, principalmente em razão da CPI contra a "Afundação", desesperadamente abafada por Roberto Marinho para livrá-lo dos possíveis mais de 20 anos de prisão, conforme preconizado pelos criminalistas Paulo Goldrajch e Nilo Batista, uma briga paralela acabou revelando algo ainda mais estarrecedor do que o próprio escândalo da "Afundação". Qual seja, um retrato de Roberto Marinho, de corpo inteiro, em preto e branco, traçado pelo seu melhor e mais antigo e fiel amigo, Armando Falcão, ex-Ministro da Justiça da ditadura militar que abençoou a Globo.
Armando Falcão, amigo fiel e dedicado a Roberto Marinho por mais de 30 (trinta) anos, sofreu a maior das traições de sua vida. Teve seu filho, Guilherme Falcão, dirigente da "Afundação", demitido sumariamente por Roberto Marinho, e também pelo fato de seu irmão, José Armando Falcão estar defendendo a ex-esposa de Roberto Marinho, D. Ruth Albuquerque Marinho, na separação do casal.
Pai ferido, o ex-ministro Armando Falcão, em defesa do filho não poupou em nada o seu ex-melhor amigo Roberto Marinho e traçou um preciso, meticuloso e arrepiante retrato de Roberto Marinho, chamando-o de "desumano, mesquinho, exibicionista, um camelô de si mesmo, campeão da vaidade vã, faminto de fama e caçador insaciável de títulos honoríficos, senil, analfabeto cujos textos que assina são escritos por outra pessoa (Jorge Serpa), doutor entre aspas ("Doutor Roberto") que jamais cursou uma faculdade, não sendo formado em coisa alguma, nem mesmo em jornalismo" (embora obrigue as pessoas a chamá-lo de doutor).
Arrematando o quadro que traçava com fortes pinceladas, Armando Falcão reforça um outro lado do perfil de Roberto Marinho com outros "atributos" do falso Doutor Roberto, como por exemplo usar de todos os meios - lícitos e ilícitos - para conseguir o que queria, construindo a gosto e bel prazer falsas reputações ou destruindo algumas das mais nobres reputações do país, conseguindo, inclusive, abafar todo e qualquer escândalo, até mesmo quando poderia ser preso (como no escândalo da "Afundação"), caso fosse um cidadão comum. E citando as próprias palavras de Roberto Marinho: "Não te mete. Deixa comigo. Sempre ganho as minhas guerras. Hoje, sou tão poderoso que me sinto um homem colocado acima do bem e do mal."
Esta carta duríssima, terrível, datada de 13 de julho de 1989, endereçada a Roberto Marinho, foi postada com cópia para toda a grande imprensa, mas somente a Tribuna da Imprensa publicou-a na íntegra, num primeiro momento. Os demais jornais preferiram aguardar o primeiro impacto da publicação para somente depois publicar parte da carta, ainda assim meticulosamente escolhida a dedo. As revistas de programa (assim como tem garota de programa também tem revista de programa) Vejé e Isto Eja - exatamente iguais, como irmãs siamesas - mantiveram um silêncio sepulcral, exatamente igual ao que vinham mantendo diante dos escândalos da "Afundação".
E encerrando a famosa carta, o ex-ministro Armando Falcão arremata: "Francamente, não sei se valeu a pena você envelhecer tanto para, chegando ao topo da montanha, mostrar-se tão diminuto, tão pequenino, tão minúsculo, tão ínfimo."
Este é o retrato mais perfeito e fiel de Roberto Marinho, em preto e branco, traçado com autoridade e conhecimento de causa pelo seu ex-amigo de mais de 30 anos, o ex-ministro Armando Falcão.

O Império Globo de Crimes

por Roméro da Costa Machado

Em 28 de junho de 1993, na Tribuna de Imprensa, eu publicava um dos mais contundentes artigos sobre a Rede Globo de Televisão sob o título acima, e que historiava, com precisão, a trajetória do Império Globo de Crimes, nascido em 64, e não em 65 como a Globo faz parecer, na lama e da lama da ditadura e que jamais se afastou deste caminho tortuoso e lamacento, conforme iremos ver ao longo de algumas edições.
Como o artigo é muito longo, iremos ver cada assunto isoladamente: Time-Life, Riocentro, Gasômertro, Oban, Assaltos a banco (Banerj, Banco do Brasil, Caixa Econômica/FGTS/Projac), NEC, Papatudo, Afundação Roberto Marinho, Rádio TV Paulista, BNDES, e outros. Hoje iniciaremos pelo escândalo Globo/Time-Lime.
O escândalo Globo/Time Life não é meramente um caso de um sócio brasileiro (Roberto Marinho) que aceita como sócio uma empresa estrangeira (Grupo Time-Life), contra todas as leis do país. O escândalo Globo/Time-Life é mais do que isso. É muito mais do que uma burla às leis brasileiras e as falcatruas todas que se seguiram à esta associação. É antes de mais nada um suporte de mídia nojento que visava apoiar, dar base, sustentação e consolidar a ditadura no Brasil, apoiada e supervisionada pela CIA, por exigência dos Estados Unidos, comandado por terroristas da CIA, como Vernon Walters e Joe Walach, sendo este último com emprego fixo na Globo, como "representante" do grupo Time-Life.
E esta associação Globo-Ditadura foi o principal motivo e razão da longevidade de uma ditadura de 20 anos e da grande prosperidade e sobrevivência da própria Rede Globo que, em reciprocidade ao apoio à ditadura, recebia anúncios e mais anúncios dos governos militares como forma de pagamento. Eram anúncios (na maioria das vezes em horário nobre) para todos os gostos: Aliste-se no Exército, Marinha e Aeronáutica, Seja Sócio da Bibliex-Biblioteca do Exército, e campanhas de todos os tipos: Brasil - Ame-o ou Deixe-o, vacinação disso, vacinação daquilo, Zé Gotinha, Sujismundo, Dia do Soldado, Semana da Asa, etc, etc, etc. E às custas da ditadura militar a Globo enriqueceu e tornou-se um fabuloso império nascido na lama e da lama.
E as benesses não paravam por aí em pagamento "cash" sob a forma de anúncios, vieram os mais de 500 mil metros quadrados do Parque Lage, ganhos de forma indecente. Os 280 mil metros quadrados no Sítio da Pedra Bonita, no Alto da Boa Vista, financiado pelo Banco do Brasil ao inimaginável juros de 1% (um por cento). E mais um monte de "doações" e "doações" como estas.
O escândalo Globo/Time-Life além de ser um escândalo moral e financeiro fabuloso é também um amontoado de falcatruas inimagináveis e inalcansáveis ao cidadão mortal comum, que vai desde a integralização fictícia de capital com bens que não eram dele (Roberto Marinho), passando pela alienação de bens gravados e inalienáveis, e pela importação de equipamentos pesados para montar sua indústria de comunicação com câmbio favorecido de quatro anos antes da importação (assim qualquer um fica rico) até o arrendamento de bens dele para ele mesmo para poder remeter recursos para o exterior, ao grupo Time-Life.
Foram tantos, tantos, tantos os abusos e falcatruas que não restou outra alternativa para fugir ao flagrante que não fosse mandar arrancar as folhas 42 e seguintes do livro 1478 do II Cartório de Ofício de Notas, conforme brilhantemente descoberto e reportado por Daniel Herz em seu livro "A História Secreta da Rede Globo".
Portanto, muito cuidado ao abordar e sintetizar o assunto Time-Life, pois dizer que a Globo esteve associada aos militares que deram o golpe de 64 e que o escândalo Globo/Time-Life foi só uma associaçãozinha ilegal e que tudo isso pertence ao passado é minimizar o problema e fazer o jogo de interesse da própria Rede Globo e isso, de alguma forma, ajuda a manter o Império Globo de Crimes.

O escândalo Proconsult

por Roméro da Costa Machado.

Com a covardia peculiar que caracteriza a Globo, lambendo botas de militares durante a ditadura e de todos aqueles que detêm poder em seus respectivos cargos, e ao mesmo tempo atacando impiedosamente quem não pode se defender, a Globo esperou o governador Leonel Brizola morrer para poder dar a sua vergonhosa versão sobre o escândalo da fraude das eleições, conhecido como escândalo Globo-Proconsult.
Enquanto o governador Leonel Brizola foi vivo a Globo jamais tocou no assunto e sempre teve que engolir a verdade dos fatos denunciados por Brizola. Mas bastou que ele morresse para a Globo retratar o caso da fraude eleitoral como sendo um mero caso de apuração de votos onde determinada região anti-Brizolista estava sendo computada antes de outra região notadamente Brizolista e com isso dando a impressão de que Brizola não ganharia a eleição.
Na realidade o caso não é nem perto nem parecido com isso. Brizola, notório desafeto da Globo, iria ganhar a eleição para governador do Rio de Janeiro e a Globo / Proconsult armaram um esquema fraudulento de apuração e computação de votos em que estava embutido no sistema de apuração da Proconsult um redutor de votos de Brizola, beneficiando seu oponente, de modo a que Brizola jamais ganhasse a eleição.
Alertado por correligionários, por fiscais do PDT e principalmente por um alto funcionário da própria Globo sobre a fraude que estava sendo intentada na apuração e cômputo dos votos, Brizola contratou o Instituto Pasqualini para uma análise técnica da questão e foi constatada a fraude no sistema de apuração Proconsult / Rede Globo.
Diante do fato gravíssimo (fraude eleitoral), sabendo que a imprensa brasileira é falida, lacaia e serviçal, e que não tem coragem de enfrentar a Globo, principalmente pelo arquivo e dossiês que a Globo possui da chamada grande imprensa, Brizola então, numa lucidez fantástica, convoca a imprensa internacional e numa memorável coletiva faz uma das mais graves e sérias acusações documentadas sobre a Globo / Proconsult. E o caso da fraude eleitoral então desmorona e passa a ter repercussão internacional.
No dia seguinte, o presidente da Proconsult ainda tenta ironizar a questão dizendo que se aquilo fosse verdade ele deveria estar, no mínimo, preso ou seria obrigado a fugir para Paris.
O fato é que o presidente da Proconsult não foi preso (nem Roberto Marinho), não fugiu para Paris, o "esquema" armado contra Brizola foi completamente desmoronado, Brizola acabou sendo eleito governador do Rio de Janeiro, a Proconsult jamais voltou a operar em esquema de apuração de eleições, e ambas (Globo e Proconsult) foram desmoralizadas publicamente. E agora, mais de 20 anos após o fato transcorrido e somente após a morte de Leonel Brizola, a Globo quer dar uma versão nova para o fato, como se nada tivesse acontecido e como se não passasse de um delírio de Brizola o escândalo da fraude eleitoral montado pela Globo e pela Proconsult.
Portanto, leitor, muito cuidado quando alguém falar sobre a pretensa seriedade do "Jornal Nacional" ou sobre a pretensa seriedade jornalística da Globo. Não imagine que os pecados da Globo sejam somente ter sido contra as "Diretas Já" ou por ter editado o debate Collor e Lula, levando Collor ao poder. Os crimes e pecados da Globo são imensos, enormes, quase que incontáveis, começa pela fraude da sua criação com o escândalo Time-Life, passa pelo acobertamento da tentativa de genocídio do Riocentro, do Gasômertro, da operação Oban, pelos assaltos a banco (Banerj, Banco do Brasil, Caixa Econômica/FGTS/Projac), pelo escândalo do Papatudo, da Afundação Roberto Marinho, da Rádio TV Paulista, do BNDES, e outros. São invejáveis 40 anos de crimes, fraudes, corrupção e perseguição.

O escândalo do Papatudo

por Roméro da Costa Machado.

Quando surgiu o Papatudo, o jornalista Hélio Fernandes, na Tribuna da Imprensa, disse com todas as letras que aquilo cheirava a um grande golpe e que não tinha uma chance em um milhão de dar certo um empreendimento entre Artur Falk (que o Hélio chamava de Artur Desfalk, pelo seu passado negro de tramóias) e Roberto Marinho.
Logo logo, com exclusividade da Rede Globo (impresso no verso dos bilhetes), e apresentação de Xuxa Meneghel (que pedia às crianças do Brasil inteiro para que pedissem aos seus pais que comprassem os bilhetinhos do "titio" Artur Falk ou Desfalk, no dizer do Hélio Fernandes) a Globo, usando os Correios como ponto de venda, no Brasil inteiro, criou o seu "Baú da Felicidade", para concorrer com o Sílvio Santos, do SBT.
Prometiam que, além da recompra garantida, os futuros compradores ainda concorreriam a grandes prêmios milionários e parte da arrecadação ainda seria destinada a instituições de caridade. E numa colossal e obscena "pirâmide" infestaram o Brasil inteiro com promessas milagrosas de enriquecimento fácil, sempre tendo à frente a exclusividade da Globo, a insuspeita Xuxa e a benemerência de instituições de caridade. (Uma espécie de "Criança Esperança", com carnê).
Embalado pelos heróis da Globo e dos "embaixadores" da Unicef, o país inteiro comprou, muitas e muitas vezes, os bilhetinhos do "titio" Artur Falk (ou Desfalk), veiculados pela Globo e apresentado pela irrepreensível Xuxa ("Compra, compra, pede para a mamãe e o papai comprar"). Os Correios vendiam, as lotéricas vendiam, os bobos compravam (como os doadores do Criança-Esperança), até que passado o período para resgate dos "bilhetinhos" milagrosos do "titio" Falk (ou Desfalk) os Correios pararam de resgatar os bilhetes pois não recebiam do Papatudo (Interunion/Globo/etc). Os lotéricos deixaram de resgatar os bilhetes que indenizariam os compradores. E o grande golpe nacional previamente anunciado foi dado nas barbas da nação inteira, onde o mico ficou na mão do povo, que não tinha de quem receber.
Eu e o repórter Saulo Gomes fomos levantar o total do golpe do Papatudo (além do golpe do Hotel Nacional dado como "garantia"). E na "ilha dos lotéricos", em São Paulo, conseguimos do presidente da associação dos lotéricos o acesso ao cofre (e gravamos) montanhas de bilhetes num cofre-forte gigante que mais parecia um bunker, girando em torno de 200 milhões. E vejam bem, os lotéricos não foram os maiores prejudicados, pois ao não receberem pelos bilhetes comprados, pararam de recomprar os bilhetes do povo e estancaram o golpe. Idem os Correios, que ao não receberem pelo bilhetes que os Correios resgatavam das pessoas interromperam a prorrogação do golpe. Mas o povo, que ficou com o bilhete na mão e não tinha a quem recorrer, de quem resgatar, de quem receber, morreu com o mico na mão, num golpe girando perto de um bilhão.
E assim, usando uma grande rede de televisão (Papatudo, exclusividade Rede Globo), uma grande vendedora agindo diretamente no público infantil induzindo a que crianças pedissem aos pais para comprarem (Xuxa), associados ao insuspeito "titio" Artur Falk (ou Desfalk) foi dado um dos maiores golpes - conto do vigário - na população tola, que acredita na Rede Globo, que compra os produtos que ela anuncia, que doa para as "instituições de caridade" abençoadas pela Globo (tipo Criança Esperança).
Pobre população ludibriada que se comove com os trambiques glamourizados da televisão.

Nem os anônimos escapam da Globo

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Enganam-se os que pensam que a Globo destila seu ódio e sua fúria de baba raivosa destrutiva somente contra pessoas e entidades conhecidas e notórias. Não são somente as pessoas como Leonel Brizola (Governador), Mário Garnero (NEC/Brasilinvest) ou Ibrahim Abi Ackel (Ministro) que experimentam perseguições pessoais movidas pela sanha tresloucada da "Messalina Platinada" do jornalismo nacional.
Pessoas absolutamente comuns, dessas que jamais tiveram qualquer tipo de notoriedade, mesmo sendo "anônimos venezianos" não estão livres da sanha destruidora de reputações da "Messalina Platinada", como por exemplo a família Shimada, proprietária de uma escolinha de bairro, na cidade de São Paulo.
O senhor e a senhora Shimada, pessoas absolutamente comuns, tinham uma escolinha de bairro (Escola de Base) e de repente foram parar no noticiário policial por conta de uma falsa denúncia de pais de um aluno que entendendo que uma assadura nas nádegas de seu filho teria sido em decorrência de abuso sexual ocorrido na Escola de Base.
Um repórter da Globo, cobrindo o fato na delegacia, levou a matéria - sem apuração, que é a regra número um do jornalismo - para o noticiário da televisão local (São Paulo) e irresponsavelmente promoveu o caso como fato consumado e comprovado, dando ao caso grande destaque e notoriedade. E a redação da Globo no Rio, achando a matéria sensacionalista o suficiente para um grande destaque a nível nacional (ainda sem qualquer apuração) lançou a matéria como notícia verdadeira no Jornal Nacional (esse mesmo Jornal Nacional que está comemorando 35 anos de calhordice).
No dia seguinte, na delegacia, diante do julgamento nacional - na verdade um linchamento sem qualquer direito de defesa - com a verdade fabricada pela Globo no Jornal Nacional, o casal Shimada foi arrastado até a delegacia, espancado, torturado, e procuraram arrancar do casal - literalmente - a "verdade" ainda que à força, pois a "verdade" da Globo é tida por imbecis como absoluta e por isso tinha que ser confirmada a qualquer custo.
Diante da negativa do casal, mesmo com espancamentos e tortura, a Globo tratou de alicerçar a sua "verdade", adicionando, por conta própria, novos elementos à sua "denúncia", entrevistando pessoas que não viram e não assistiram a nada, estimulando e direcionando entrevistas maldosamente editadas de modo a dar a entender ao espectador que o Sr.Shimada era um tarado sexual, viciado em pedofilia e que a Sra. Shimada era pior ainda porque apoiava e acobertava essa terrível tara do marido.
Entretanto, em curtíssimo espaço de tempo, a verdade veio à tona. O menino havia tomado grande quantidade de medicamento e em razão disso vinha tendo fortes e seguidas diarréias. Razão pela qual estava "assado", todo irritado e inflamado onde se supunha ter havido abuso sexual.
De imediato, diante da verdade apresentada, confirmada pelo próprio menino e por seus pais, a imprensa local desmentiu a matéria mentirosa da Globo. Mas, e a Globo? O que fazer após quase uma semana inteira apresentando a sua verdade no Jornal Nacional, com o casal Shimada já "julgado" (mesmo sem provas) como um casal de tarados, pedófilos?
A Globo, essa grande "Messalina Prateada" do jornalismo brasileiro, ao invés de desculpas, ao invés de se retratar com grandeza e contar a verdade, não só manteve sua aura de santo de prostíbulo, como agravou ainda mais a falsa denúncia até destruir completamente a família Shimada, acabando inclusive com a sua única fonte de renda que era a Escola de Base.
Este assunto torturou por muitos e muitos anos o Diretor de Jornalismo da Globo, até que tempos depois - já fora da Globo - ele veio a público e admitiu o grande crime e a grande covardia da Globo no caso da Escola de Base. E, apurando a seqüência dos acontecimentos, eu e o Repórter Saulo Gomes, fomos encontrar a Sra. Shimada com seqüelas terríveis e irrecuperáveis, em estado lastimável de saúde, e seu marido, o Sr. Shimada, trabalhando na praça da Sé, num cubículo, vivendo de tirar xerox, com a vida totalmente destruída. E pior... mesmo tendo vencido na justiça, a família Shimada jamais conseguiu executar a sentença e recuperar, ainda que tardiamente, o que restou de sua vida destruída. (Esse é somente um dos trocentos casos de covardia e perseguição feito pela "Messalina Platinada" do jornalismo nacional).

Entre a impunidade e a perseguição

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Nada define e sintetiza melhor a vida de Roberto Marinho do que o título: "Entre a impunidade e a perseguição", vez que sua vida foi pautada por viver na impunidade, à margem da legalidade e sempre perseguindo aqueles que pudessem estorvar, de alguma forma, o seu caminho.
Como exemplos de impunidade pode-se dizer que escapou ileso de três CPI's (Time-Life, Afundação Roberto Marinho e NEC) sem que as ditas CPI's investigassem o que deveriam. Sobreviveu a escândalos que o levariam irremediavelmente à cadeia, conforme previsto por alguns criminalistas renomados. Conseguiu a façanha de ter em seu curriculum a responsabilidade sobre a venda de carro roubado, obtenção de dinheiro a fundo perdido, obtenção de empréstimos quase gratuitos e verbas governamentais pródigas para sustento de suas empresas. Isto sem se falar nos escândalos da Afundação de caixa dois, notas frias e etc. E, logicamente, o seu vergonhoso enriquecimento paralelo à ditadura militar.
Os exemplos de perseguição são vários, sendo os mais notórios os de: Leonel Brizola, Mário Garnero, José de Paiva Netto e Bispo Edir Macedo.
Em sua sanha alucinada de perseguição a Leonel Brizola, Roberto Marinho deixou o rastro do escândalo Globo/Procunsult da fraude das eleições e a destruição total da imagem do Rio de Janeiro, nacional e internacionalmente. Tudo isso para caracterizar Brizola como um mau administrador/governador. A imagem do Rio foi tão suja e tão denegrida pela Globo que mesmo muitos e muitos anos após a campanha difamatória da Globo contra o Rio de Janeiro, ainda ficaram as marcas, ainda que o Rio não seja tão violento quanto São Paulo (de onde vem a maior parte do dinheiro da Globo), ainda que o Rio não chegue nem perto da violência de Nova Iorque, nem tenha brigadas assassinas como em Roma, terroristas da ETA como em Madrid, ou terroristas como os do IRA em Londres.
Mário Garnero, em determinada época, foi o mais respeitado empresário brasileiro e talvez ainda seja o empresário brasileiro mais conceituado e de maior penetração no exterior, dono de várias empresas, entre elas a NEC e o Grupo Brasilinvest, localizado no melhor e um dos mais caros endereços do Brasil (duas gigantescas torres de edifício na esquina das avenidas Faria Lima com Rebouças). E por Garnero possuir o grande sonho de Roberto Marinho (a NEC), que na época era a grande líder em telefonia, por isso mesmo, sofreu toda sorte de perseguição até vir a perder o controle acionário da NEC, contando com o apoio do Presidente da época (José Ribamar Sarney) e do Ministro da Comunicação (Antônio Carlos Magalhães, "sócio"/parceiro de Roberto Marinho em televisão na Bahia).
José de Paiva Netto, presidente da LBV e da Fundação de Paiva Netto, cometeu o grande "crime" de haver ganho do governo federal a concessão do canal de televisão (26) em São Paulo, o último bom canal disponível e que a Globo tanto queria, no disputadíssimo e ambicionado mercado de São Paulo. E por conta disso sofreu insidiosa campanha difamatória, sendo mostrado como possuidor de quadros famosos (isso é crime?), dono de grande fazenda de gado no centro-oeste (A Globo tem, só entre as fazendas Aruanã e Cocalinho, mais terra do que a dimensão do Rio de Janeiro), e de possuir uma frota de carros importados para seus diretores (Primeiro: Os carros importados eram carros comuns e mais baratos do que os carros nacionais de primeira linha. Segundo: Desde quando é crime ter carro importado?).
Por conta disso, José de Paiva Netto conheceu o inferno em vida, principalmente quando Roberto Marinho desencadeou sistemática campanha difamatória pelo jornal e pela televisão, manipulando e influindo de tal forma nas instituições brasileiras que a curadoria de fundações perseguiu a Fundação José de Paiva Netto ao contrário do que fez com a Afundação Roberto Marinho; as rádios do grupo LBV passaram a sofrer terrível fiscalização e ameaças de fechamento. O canal de televisão 26 foi lacrado mais de uma vez. As empresas de telefonia (de onde vinham as doações pela conta telefônica) deixaram de repassar as doações ao grupo LBV, até sufocar e quase quebrar o grupo inteiro, para finalmente perder o canal 26.
O Bispo Macedo, tão injuriado e perseguido ainda hoje (por conta residual da campanha difamatória da Globo), sofreu toda sorte de injustiça e humilhação, até mesmo uma violenta, terrível e cruel prisão orquestrada pela Globo. Tudo porque o Bispo Macedo havia conseguido um importante canal de televisão em rede aberta (Rede Record) e liderava uma agremiação religiosa (IURD) que se delineava como detentora de um fantástico potencial de crescimento, capaz de assustar terrivelmente a Globo.
Por conta disso, a Globo não só fez feroz e sistemática campanha difamatória (como de hábito) contra o Bispo Macedo e contra a IURD, como criou uma mini-série protagonizada por um pastor canalha, corrupto e devasso para tentar desmoralizar não só a IURD como todo movimento evangélico no Brasil. (A Globo até conseguiu, num primeiro momento, o auxílio de um pastor dissimulado, tal qual Balaão, mas que pelos desígnios de Deus este pastor logo envolveu-se em grande escândalo e acabou caindo em desgraça no meio evangélico, sendo posteriormente abandonado até mesmo pela Globo)
Quatro grandes homens de fibra: Brizola, Garnero, Paiva Netto e Bispo Macedo, a quem eu tive a oportunidade e honra de estar ao lado exatamente nos piores momentos de suas vidas, foram vítimas de sistemáticas campanhas de perseguições insanas de Roberto Marinho, um "homem" em cuja lápide bem que poderia estar a síntese de sua vida: "Viveu alimentando-se de ódio, entre a impunidade e a perseguição".

De ladrão de bancos a ladrão de carros

por Roméro da Costa Machado.

Roberto Marinho, que ostentou por muitos anos a fama de "O maior assaltante de bancos do Brasil", título dado pelo jornal "O Pasquim" (26/09/83), por ter conseguido saquear o Banerj em quantia muito superior ao que tinha sido roubado por todas as grandes falanges criminosas e especializadas em assalto a bancos, demonstrando que em matéria de roubo as quadrilhas especializadas não passavam de meros amadores, eis que subitamente Roberto Marinho desvia-se de atividade de "assalto a bancos" e envereda-se por outra atividade menos glamourosa, qual seja: roubo de carros.
Um amigo meu, Paulo Roberto Romano, comprou uma Caravan num leilão de carros e ato contínuo foi fazer a transferência do veículo para o seu nome. Entretanto, este ato absolutamente corriqueiro quase custa-lhe a liberdade, pois ao chegar no Detran para fazer a vistoria do carro, foi constatado que o carro tinha o chassis remarcado e tratava-se de um carro roubado.
Como determinam as regras, foi chamado a Polícia Especializada, e imediatamente foi dado voz de prisão ao meu amigo, Paulo Roberto, e ele imediatamente conduzido à delegacia.
Em lá chegando, Paulo Roberto faz a colocação mais cristalina do mundo: "Peraí... está tudo invertido... eu comprei esse carro num leilão... eu sou só o comprador... se alguém tiver que ser preso, que seja o vendedor... o verdadeiro ladrão do carro. Ou melhor: o dono da Rede Globo que me vendeu este carro".
Engasgos gerais... e o detetive, constatando a realidade do fato, dá a mais absurda das ordens ao meu amigo: "Tire esse carro daqui. Nunca vi este carro. Dê sumiço nele. Devolva para quem você comprou. Não quero confusão pro meu lado. Desfaça essa compra que você fez"
"Mas... peraí... eu comprei esse caro num leilão (legítimo) e ia ser preso por estar com um carro roubado... e agora que vocês sabem a procedência do carro roubado, vocês me mandam dar sumiço no carro? Não querem mais prender o ladrão?. Que bagunça é essa?"
Paulo Roberto ainda tentou de várias formas registrar a ocorrência na Delegacia Especializada em furto de automóveis, mas foi impedido, pois os policiais recusavam-se a registrar a ocorrência. Tentou formalizar a questão pelo Detran, mas recusaram-se a registrar o acontecimento. Daí Paulo Roberto lembrou-se de mim... da Globo e contou-me toda a história. (Incrível como as coisas relacionada à Globo acabam sempre vindo a mim pelos mais variados caminhos)
Fotografamos o carro, os documentos, a adulteração e falsificação de chassis, tudo. E pela Tribuna da Imprensa fiz publicar toda a história, capaz de surpreender e envergonhar Kafka, o maior escritor de absurdos, e transformá-lo num mero escritor de historinhas infantis.
Não tardou e um graduado funcionário da Rede Globo procurou o meu amigo Paulo Roberto Romano e recomprou a Caravan (roubada) vendida em leilão pela Globo e "deu sumiço" no que poderia ser a única prova e evidência do roubo de carro, não tivéssemos publicado tudo antes, na Tribuna da Imprensa.

Que lições tirar desse episódio kafkaniano em que um policial está prestes a prender um "ladrão de carros", mas quando descobre quem é o verdadeiro ladrão, recusa-se a registrar a ocorrência e sugere dar sumiço no produto do roubo? Que outro jornal, sem ser a Tribuna da Imprensa, publicaria toda a história, com fotos e cópias dos documentos? Que outros motivos reais poderiam determinar a prisão de uma pessoa como Roberto Marinho? Fica mais do que claro que se Roberto Marinho roubasse o que fosse... jamais iria preso. Se Roberto Marinho praticasse qualquer falcatrua... também não iria preso. Se Roberto Marinho matasse uma pessoa... não iria preso (e a culpa ainda seria do morto). Que motivos a lei deste país precisa para prender uma pessoa considerada "acima do bem e do mal"?
Dessa história triste, repugnante e chocante, sem qualquer fundo moral, fica somente a certeza de que as pessoas consideradas "acima do bem e do mal" beneficiam-se da cumplicidade oficial em qualquer circunstância. Entretanto, mesmo estas pessoas um dia encontram o seu declínio na vida... nem que seja para passar de laureado ladrão de bancos a reles ladrão de carros.

Collor e Roberto Marinho

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Ainda hoje em dia, muita gente execra o ex-presidente Collor sem nem bem saber porque, acusando-o de modelo e exemplo de uma grande corrupção institucionalizada, mas ao mesmo tempo, estranhamente, não sabem identificar um único exemplo de corrupção, esquecendo até que Collor ganhou praticamente todas as ações contra ele na justiça, sendo inocentado de quase todas as acusações que lhes foram imputadas. E quando muito restou somente uma única e irrefutável acusação e "grande" exemplo de corrupção: um Fiat Elba.
Não se trata aqui de tentar inocentar o ex-presidente Collor, mas tão somente de fazer uma constatação: Todo o alarde em torno de um propalado mar de corrupção da administração Collor resume-se a uma grande campanha de mídia cujo único dado concreto é um reles Fiat Elba. (É pouco. É muito pouco)
Mas é só isso? Todo esse alarde de "mar de corrupção" só por causa de um reles Fiat Elba? E será que ninguém se interessa em saber como e por que Collor veio a ter essa fama construída pela mídia?
Primeiramente vamos aos fatos. Vamos reviver a história: Collor e Lula disputavam as eleições presidenciais quando num ato de pirataria e estelionato de mídia, manipulando a opinião pública, a Globo vergonhosamente editou o "debate", tirando as partes boas do Lula e privilegiando Collor, na clara intenção em influir na opinião da plebe ignara e eleger o parceiro e companheiro da Globo em negócios televisivos.
De fato, Collor foi eleito com as bençãos e influência da Globo e Roberto Marinho (inclusive o irmão de Collor, Leopoldo, era Diretor Geral da Globo em São Paulo). Entretanto, Collor tinha outras idéias, muito particulares, de como administrar o país e de como deveria ser o "império das comunicações".
Para começar, Collor seqüestrou a poupança do povo (mas depois devolveu), e deixou todo mundo com somente 50,00 na conta. E daí partiu para seu mais violento ataque: Sabendo que a Globo é uma entidade que depende essencialmente do governo (pois sem os "anúncios", reciprocidades e verbas públicas a Globo literalmente quebra), Collor tomou sua mais audaciosa atitude: Ousou quebrar a Globo, simplesmente cortando toda a verba publicitária governamental.
Isso levou a Globo ao pânico e temor profundo. A tal ponto que Roberto Marinho iniciou guerra franca e aberta contra o governo Collor, pintando-o das mais terríveis cores em seus noticiários. Até que, num profundo golpe de sorte, os estudantes do Rio de Janeiro foram para a rua protestar pela meia-entrada e pela carteira de estudante (liderados pelo então vereador do Rio de Janeiro, Edson Santos), quando então a Globo, aproveitando-se do fato, em novo estelionato de mídia, em plano fechado, passou a mostrar estudantes protestando como se fosse contra o governo Collor, trocando a história do protesto dos estudantes pela carteirinha, criando o "Fora Collor".
No dia seguinte, e nos dias que se sucederam, a Globo deu grande destaque ao Lindinho (Lindberg Farias), líder estudantil da UNE, inclusive e principalmente no programa da Xuxa. E a estudantada, como gado, influenciada pelos noticiários da Globo, alienada e querendo aparecer na televisão, saiu bradando pelas ruas, como que saído de um curral, o "Fora Collor", pintando os rostos e criando os "Caras Pintadas". (Tudo isso estimulado e dirigido pela Globo como numa peça de teatro)
Essa história até hoje é ocultada e silenciada pela imprensa em geral, pois quem podia denunciar isso (a grande imprensa) foi cúmplice e parceira da Globo neste estelionato de mídia. E jamais foi dito que por detrás da trama da derrubada do governo Collor havia um enorme problema de interesses contrariados, numa briga pessoal e direta entre Collor e Roberto Marinho, em que os estudantes foram usados e manipulados para criar a imensa campanha de mídia que teve repercussão nacional, mas que começou exclusivamente pela Rede Globo, e que foi cordeiramente seguida pela serviçal e repulsiva "grande imprensa".
Mas... e PC Farias? Ele era inocente? Como inocentar o "terrível" PC Farias?
PC Farias não tomou um único centavo do governo ou de verbas públicas. Seu grande crime foi tomar dinheiro de particulares, de empresários. Todo o dinheiro que ele arrecadou e amealhou antes, durante e depois da campanha era dinheiro de empresários, que deram a Collor para ter seus interesses protegidos e que Collor simplesmente ousou atropelar, a começar por Roberto Marinho, e por isso foi sacrificado, vilipendiado, execrado e tirado à força da presidência da república (ainda que judicialmente).
Portanto, quando alguém falar ou ouvir falar de Collor como um grande exemplo de corrupção, questione a participação de Roberto Marinho na história. Questione os interesses contrariados de Roberto Marinho. Questione a posição lacaia e serviçal da grande imprensa. Questione o uso dos estudantes manipulados como gado, massa de manobra, travestidos de "caras-pintadas". Questione se houve desvio de um único centavo de verba pública ou se houve algo além de um Fiat Elba. E principalmente, questione a montanha de dinheiro dado a PC Farias pelos empresários corruptos que queriam rifar e lotear o governo Collor.

Central Globo de Boatos

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Mais duro, mais cruel e perverso do que as mentiras que a Globo cultivou durante anos através de seus noticiários, ora construindo reputações fugazes de pulhas e ídolos de pés de barro, ora destruindo reputações de gente honesta e honrada, só mesmo as perseguições conscientes, volitivas, através de mentiras da Central Globo de Boatos. Uma espécie de departamento virtual da Rede Globo onde boatos e mentiras são plantados como verdade - visando especificamente destruir alguém - e que por mais que venham a ser desmentidos mais tarde jamais restabelecem o estrago feito, pois o boato maldoso é como carvão, quando não queima... Suja.
Dois casos específicos são emblemáticos: A destruição da carreira do Wilson Simonal (o maior e mais popular cantor de sua geração) e a destruição de fama de machão de Mário Gomes (o principal protagonista de novelas da Globo de uma determinada época).
Simonal, era o grande cantor de uma época, um sucesso tão espetacular que até hoje é difícil estabelecer parâmetros de comparação. Durante os muitos anos dos festivais de canção, Simonal foi a grande e principal atração. Chegou a reger, sozinho, um Maracanãzinho inteiro, lotado, tal era o fascínio do público por Simonal. Entretanto, como Simonal havia brigado com seu contador por questões financeiros e fiscais, e este contador era o contador de diversos atores e diretores da Globo, o diretor João Carlos Magaldi, por deter um poder enorme de comunicação (ele era exatamente o diretor da Central Globo de Comunicação) inventou um boato terrível sobre Simonal visando especificamente destruir completamente a carreira de Simonal. Ou seja, como eram os anos da ditadura e a Globo era o porta vez dessa ditadura, Magaldi inventou que Simonal era alcagüete, dedo duro, e que estaria dedurando grande parte da classe artística para a polícia.
A classe artística inteira voltou-se contra Simonal. O público inteiro tomou asco, nojo, repulsa por Simonal. Pois se o fato de ser traidor já é algo abominável na cultura brasileira, imagine-se então um traidor em tempos de ditadura. E com isso a carreira de Simonal foi completamente destruída por um boato gerado dentro da Central Globo de Boatos e até a morte Simonal jamais conseguiu recuperar-se da fama de traidor, embora esta "traição" tivesse sido amplamente desmentida a posteriori, inclusive em um dos meus livros, pois conforme dito anteriormente o boato mentiroso, quando não queima... Suja.
Mário Gomes, principal protagonista das novelas da Globo de uma determinada época, era a imagem do bonitão que toda mulher queria, e além do mais tinha uma terrível fama de machão. Entretanto, apesar dessa imagem de machão não conseguiu confrontar-se com o boato maldoso que viria a destruir completamente essa fama de machão e conseqüentemente sua carreira.
Mário Gomes estava de caso com a atriz Beth Faria (ex-mulher e louca paixão do diretor da Globo Daniel Filho) e estava estrelando um filme dirigido por Carlos Imperial (músico, compositor, ator, diretor da Globo e de revista de fofocas de televisão). E como Mário Gomes não aceitou o cartaz de propaganda do filme feito pelo Carlos Imperial, e obteve na justiça o embargo do lançamento do filme, causando enorme prejuízo ao Carlos Imperial. Este fato foi suficiente para que os dois traídos (Daniel Filho e Carlos Imperial) unissem suas forças e montassem uma rede de fofocas e boatos contra Mário Gomes.
Imperial ligou para várias revistas de fofocas e jornais e informou que Mário Gomes estaria no hospital tal, internado, com uma cenoura entalada no... , pois é. E daí repórteres de várias revistas, vários jornais e televisões (principalmente a Globo, de onde saíra o boato) cercaram o hospital de todas as formas. E por mais que o hospital desmentisse o fato, mais e mais se falava dele. Inventaram que havia uma ala inteira isolada só para atender secretamente o Mário Gomes. Apareceu até uma enfermeira que supostamente teria atendido o Mário Gomes entalado com a cenoura. E logo o boato tomou tanto corpo e proporção tal que já havia até testemunha e conhecidos que conheciam alguém que havia visto o Mário Gomes e a cenoura.
Este fato abalou terrivelmente a fama e a carreira do Mário Gomes, a tal ponto que ainda hoje, mesmo após o fato ter sido desmentido - até mesmo pelo próprio Carlos Imperial, a mim, em sua casa - a imagem que ficou do Mário Gomes é a do "cenourinha", ou o cara que foi internado com uma cenoura entalada. Pois conforme dito, o boato maldoso é como carvão, quando não queima... Suja.
E a Globo, sabedora dessa terrível verdade sobre o boato, mais do que qualquer outra entidade no país, detém o incrível e maior de todos os recordes de criação de ídolos fúteis de pés de barro e de destruição de carreiras e reputações, gestados na Central Globo de Boatos.

Assaltos a bancos

por Roméro da Costa Machado.

Detalhando o artigo de 28 de junho de 1993, publicado na Tribuna de Imprensa, hoje vamos abordar a questão dos assaltos a bancos: Banerj, Banco do Brasil, Caixa Econômica. Pois foi neste quesito (assalto a bancos) que o conhecido jornal combativo "O Pasquim", em 26/09/83, homenageou o "imortal" (hoje morto) Roberto Marinho, com o título de "O maior assaltante de bancos do Brasil".
À época O Pasquim comparava o assalto do Banerj (por Roberto Marinho) aos grandes assaltos praticados pelas grandes falanges criminosas e especializadas em assalto a bancos, e demonstrava, sobejamente, que os ditos criminosos profissionais não passavam de meros amadores perto de Roberto Marinho.
Noticiava O Pasquim, em memorável edição, que causou enorme comoção e desespero nos corredores globais: "Nos dias 28 de fevereiro e 29 de maio de 1980, sem nenhum registro na crônica policial, foram praticados os dois maiores assaltos a banco da história do Brasil. Em duas operações distintas, o grupo do Sr. Roberto Marinho levantou no Banerj, a juros de dois por cento ao mês, a importância de 449 milhões e 500 mil cruzeiros" (Aí O Pasquim traçava um parâmetro entre os dois por cento ao mês pagos pela Globo ao Banerj e quanto isso renderia se o dinheiro fosse aplicado no próprio Banerj, onde foi tomado o empréstimo. Isto alcançou a módica cifra de três milhões de dólares, equivalente hoje a mais de vinte milhões de dólares, só de rendimento. Vale dizer, este dinheiro renderia tão espetacular lucro sem sequer sair do banco, bastando tirar o dinheiro da conta empréstimo e creditando-o em aplicação financeira no próprio banco).
Segue O Pasquim: "Nenhuma outra quadrilha, inclusive movimentos terroristas, lucrou tanto no negócio de assalto a banco como a quadrilha da Rede Globo. Só no Banerj expropriou um bilhão e oitocentos milhões de cruzeiros. Em retribuição, Roberto Marinho levou toda a diretoria do Banerj para trabalhar na Globo: Miguel Coelho Neto Pires Gonçalves, Diretor Superintendente do Banerj virou Superintendente da Rede Globo; Antônio Carlos Yazeji, Paulo Cesar da Silva Cechetti e Pedro Saiter (ex-vice-presidente, ex-diretor, ex-gerente geral, todos do Banerj) foram agraciados com pomposas diretorias na Rede Globo."
No Banco do Brasil Roberto Marinho obteve empréstimo favorecido ao juros de 1% ao mês. No Banco Central conseguiu remeter dinheiro para o exterior a um câmbio 30% a 40% abaixo do câmbio livre e oficial, gerando uma lucratividade de milhões e milhões de dólares. Na Caixa Econômica Federal, da verba dos trabalhadores para a construção de habitação popular (FGTS), Roberto Marinho obteve inicialmente 37 milhões de dólares para construir o Projac (centro de produção da Globo em Jacarepaguá), e continuou pegando dinheiro favorecido em bancos até enriquecer irremediavelmente.
Com tanto favorecimento, não havia como não enriquecer. Pois nem o maior incompetente deixaria de enriquecer com tanto dinheiro fácil entrando a rodo. Mas, nem por isso a Globo parou por aí. Tomando dinheiro em várias fontes, a Globopar alcançou um endividamento de cerca de três bilhões (repetindo: três BILHÕES de dólares), uma dívida impagável, e que a Globo quer e espera ser socorrida pelo governo federal através do BNDES, e por este motivo não critica o governo e faz tanta propaganda favorável à administração pública. (Mas isso é outra longa história para um outro artigo)

Afundação Roberto Marinho

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Eu era Auditor da Rede Globo, quando detectamos uma quantidade enorme de irregularidades na Fundação Roberto Marinho, as quais eu não entendia como não tinham sido vistas até então pela Curadoria de Fundações. Em função da quantidade de irregularidades encontradas e dos bons resultado desta auditoria, fui convidado para ser Controller da Fundação Roberto Marinho e designado para corrigir, acertar e acabar com as irregularidades até então existentes. Entretanto, num espaço de tempo muito curto pude verificar que a minha contratação não passava de uma cortina de fumaça e um grande jogo de cena, pois na realidade "eles" não queriam consertar nada. Ao contrário, queriam continuar a fazer o que sempre fizeram, só que desta feita usando um Auditor, de reputação incontestável, como escudo. E para piorar não só todas as irregularidades até então descobertas continuavam a ser praticadas como pude constatar que as irregularidades não descobertas pela auditoria - descobertas posteriormente - eram muito piores do que as que até então tinham sido descobertas.
Não tive dúvidas em ir ao Secretário Geral da Fundação, João Carlos Magaldi (a autoridade máxima da entidade) e pedir para sair da Fundação. Época em que retornei para a auditoria da Rede Globo e empreendi uma terrível e implacável nova auditoria na Fundação - aí já com dados novos e muito mais contundentes do que a primeira auditoria.
O resultado desta nova auditoria foi devastador, com demissões em massa, de simples funcionários a diretores da Fundação. Mas, no entanto, apesar do aparente bom resultado, eu estava terrivelmente descontente, pois muitos diretores graduados da Globo não tinham sido atingidos nas demissões, embora fosse mais do que comprovado que eles transacionavam diretamente com notas (frias) com a Fundação.
As principais irregularidades encontradas nesta nova auditoria foram: Compra de Notas Fiscais; Notas Frias (Frias-Frias e Frias-"Quentes"); Notas de diferentes empresas (várias) escritas pela mesma pessoa; Notas Fiscais falsas (montadas a partir de cartões de visitas e impressos de empresas que sequer sabiam que estavam transacionando com a Fundação); Caixa Dois; Equipamentos comprados com notas de serviço; Despesas de viagens falsificadas; Funcionários da Globo (principalmente diretores) recebendo através de notas frias; Empresas da Globo faturando e cobrando "facilidades" da Fundação; Contratação de parentes; Sumiço de ativo fixo (principalmente fitas de vídeo). Isto, sem contar o "assalto" aos cofres do governo (Ministério da Educação) na obtenção de verbas a "fundo perdido" (dinheiro grátis, obtido na "bacia das almas") para fazer programas "educativos" medíocres da Fundação, que segundo opinião de um diretor da própria Fundação, o telecurso era o curso mais caro do mundo, pois se o dinheiro empregado pelo governo na Fundação fosse distribuído diretamente aos alunos necessitados praticamente acabaria o curso elementar no Brasil.
Nesse meio tempo, diante da grande repercussão da auditoria, fui chamado pelo Vice-Presidente José Bonifácio de Oliveira (O Boni) para assessorá-lo pessoalmente, com uma proposta super vantajosa, a qual aceitei sem pestanejar. Mas, em muito pouco tempo não tardou que eu descobrisse que nós dois (Eu e Boni) não teríamos muito sucesso juntos, isto porque ele mesmo, Boni, também era um dos que tinham notas enfiadas na Fundação, sem falar de sua porção "bandido" com ligações com o submundo do crime (bicheiros, gângsteres, etc.) onde o grande "capo" da criminalidade, Castor de Andrade, era simplesmente "irmãozinho" do Boni.
Isso foi mais do que suficiente para se tornar um ponto intransponível e incontornável no nosso relacionamento. Tanto que nossas brigas tornaram-se tão inevitáveis até que chegamos ao insustentável, a ponto de dizermos coisas muito desagradáveis um ao outro, culminando com a minha saída voluntária da Globo, onde eu sequer fui buscar o que tinha direito, mas me dando o direito de contar tudo em livro ("Afundação Roberto Marinho", hoje na 12ª Edição). E não sem antes dizer ao Boni que cedo ou tarde os filhos do Roberto Marinho iriam se desfazer dele, como um pesado e incômodo fardo, e que ele só não seria demitido sumariamente naquele momento pelo tanto que ele tinha de ações, participações, e o quanto sabia e estava envolvido nas operações "sigilosas" da Rede Globo.
Realmente, tempos depois, a Globo viria a romper seu vínculo com o Boni, inclusive mantendo-o em casa, recebendo, sem trabalhar, só para não trabalhar para uma emissora concorrente. Até que posteriormente até mesmo este único vínculo foi rompido. Mas como a Globo vinha se especializando em fazer besteiras aos borbotões, a Globo livrou-se do Boni, mas contratou - para seu suposto lugar - uma especialista em falência (que não entendia nada de televisão), cujos grandes destaques em seu curriculum eram as falências da Mesbla e do Mappin. (Mas isso já é outra história)

A vítima da vez

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Quando Fundação José de Paiva Netto (LBV) ganhou o último bom canal de televisão na cobiçadíssima praça de São Paulo, canal este que a Globo queria a qualquer custo para o canal Futura, José de Paiva Netto passou a conhecer o inferno na Terra. Exatamente como o Bispo Macedo sofreu, quando a Rede Record virou objeto de desejo da Globo. A LBV e Paiva Netto, por conta do canal de televisão que ganharam, passaram a sofrer terrível campanha da Rede Globo através de "notícias" no Jornal Nacional, Fantástico, e até mesmo Globo Repórter. (Isso sem falar na campanha-massacre do noticiário do jornal "O Globo")
Desmentir toda a mentiralhada? Como? De uma só vez? Até é possível... Mas a mentira é como carvão... quando não queima...suja. Depois de alastrada a mentira, é muito difícil recuperar cem por cento do que era antes - sempre fica um resíduo, uma sobra do boato, por mais que as coisas sejam esclarecidas. E essa conta, mesmo após os desmentidos, a LBV paga até hoje.
Ao ser chamado para socorrer a LBV, que estava em risco de quebrar, tal era a violência dos ataques da Globo, cortando a sua maior fonte de receita (que eram os recebimentos de doações através de contas telefônicas), repeti o que já havia dito na Rede Record ao Eduardo Lafon: Acordo de paz com a Globo é como acordo de pescoço com a guilhotina. Não há chances de paz com a Globo. Ela só pára de bater quando apanha. E só respeita quem bate. (Ou quem pode bater)
Felizmente, desta vez, fui ouvido e deu tudo certo. Pois assim que a Globo soube que uma grande quantidade de livros "Afundação Roberto Marinho" e "Afundação II - Uma biografia de corrupção" estava pronta e em vias de ser jogada no mercado, e tão logo a Globo soube que estavam sendo gravados nos estúdio da Rede Mundial de Televisão (da Fundação José de Paiva Netto) uma série de programas de uma hora de duração, chamado "A Vítima da Vez", contando os casos de perseguições e covardias feitas pela Globo, além de todos os escândalos e casos escabrosos envolvendo a rede de Roberto Marinho, a Globo suspendeu imediatamente todas as notícias contra a LBV - não saiu mais uma linha sequer - e até os programas já gravados (Globo Repórter especial e Especial de fim de ano e Retrospectiva) foram suspensos como que por milagre, e jamais foram exibidos.
Estes programas que gravamos, A Vítima da Vez, que estão guardados e muito bem guardados na Fundação José de Paiva Netto / LBV, foram gravados comigo e com o jornalista Saulo Gomes. São terríveis, violentíssimos, de altíssimo poder de destruição. Algo como colocar em vídeo os artigos escritos por mim como os que ora estão sendo veiculados aqui mesmo na Folha Universal.
São armas poderosas, terríveis, apontados permanentemente na direção da Globo e que iriam ser usados de maneira devastadora. Iriam ser exibidos em várias emissoras de televisão, ao mesmo tempo, em cadeia nacional, como numa programação semanal. Mais especificamente, em todos os lugares do Brasil em redes de televisão onde se pudesse comprar horário, tendo a Band como "cabeça de rede" e líder do "pool" de televisões.
A Globo jamais imaginou um "troco" neste nível, um ataque violentíssimo desses, uma retaliação desse porte, uma resposta à altura. Tanto que, avaliando o possível prejuízo, mediu as conseqüências, sentiu e assimilou o golpe, e recolheu o trem de pouso. Porque essa "brincadeira", certamente, eles não vão mais brincar com a LBV. Afinal, eles que inventaram a "Próxima vítima", não querem se transformar na própria "Vitima da Vez".

A síntese do Império Globo de crimes

por Roméro da Costa Machado, escritor.

Sob o título de "Império Globo de Crimes", do artigo de mesmo nome, publicado em 28 de junho de 1993, na Tribuna da Imprensa, desdobramos e aprofundamos o assunto, enriquecendo-o em vários outros artigos. Dessa forma, o leitor ficará melhor capacitado a recusar a síntese simplista incentivada pela própria Globo, no sentido de dizer que a Globo cometeu somente alguns poucos pecados, tipo ser contra as "Diretas Já", ou anunciá-las em seu noticiário como uma festa em homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo.
A Globo não é isso e nem só isso. Aceitar esta versão simplista é minimizar o Império Globo de Crimes ao gosto e interesse da própria Globo. Essa síntese simplista somente interessa à Globo que quer que as pessoas tenham em mente como tendo sido só um dos seus poucos pecados jornalísticos. Mas, no entanto, vejamos a seguir que as coisas não são assim. Muito pelo contrário.
É fundamental ter em mente que a Globo é ilegal, errada, torta e criminosa desde a sua criação, com o chamado escândalo Time-Life, quando Roberto Marinho associou-se ilegalmente a um grupo estrangeiro contra as leis do país, integralizou capital com bens que não lhes pertenciam, os bens gravados como inalienáveis foram alienados, houve importação de equipamentos pesados para montar sua indústria de comunicação com câmbio favorecido de quatro anos antes da importação. Foram tantos, tantos, tantos os abusos e falcatruas que não restou outra alternativa para fugir ao flagrante que não fosse mandar arrancar as folhas 42 e seguintes do livro 1478 do II Cartório de Ofício de Notas, conforme brilhantemente descoberto e reportado por Daniel Herz em seu livro "A História Secreta da Rede Globo".
Dizer que a Globo foi criada essencialmente com o apoio da CIA para dar sustentação e apoio ao golpe militar de 1964, é mais do que um exercício de retórica, posto que às custas desse apoio à ditadura militar a Globo enriqueceu trocando notícias favoráveis aos ditadores por anúncios que garantiam a sobrevivência da Globo e da ditadura militar. E com isso foram acobertados os maiores e principais crimes da ditadura, como o escândalo do Riocentro, em que os militares - para se eternizarem no poder - aproveitaram uma festa popular no Riocentro, com grande afluência de público, trancaram os portões por fora, com o público todo lá dentro e foram jogar bombas no público para causar pânico, dor e morte, e com isso jogar a culpa nos revolucionários contrários à ditadura e que a Globo chamava de terroristas.
Durante a ditadura militar a Globo também acobertou a Operação Bandeirantes (OBAN), em que os revolucionários contrários à ditadura eram mortos das mais variadas formas inclusive jogados de avião no mar, de barriga aberta para não boiarem e para os corpos não aparecerem jamais. A Globo acobertou também a Operação Gasômetro, que à semelhança do escândalo Riocentro, iria matar multidões, ao ser explodido o gasômetro do Rio de Janeiro, mandando para os ares vários quarteirões, para colocar a culpa nos revolucionários e perpetuar a ditadura militar.
Ainda nesta linha de associação com a criminalidade da ditadura, a Globo bancou as falsas notícias dos assassinatos de Vladimir Herzog, Fiel Filho, Stuart Angel e centenas de outros revolucionários, sempre tendo como verdade os laudos criminosamente falsos do médico parceiro da ditadura, Harry Shibata. E o cinismo da Globo era tal que alguns revolucionários quando eram presos, após tortura, eram apresentados nos telejornais da Globo, confessando "espontaneamente" seus crimes contra o país, para "servir de exemplo à juventude revolucionária " (chamada pela Globo de terrorista).
Não bastasse trocar falsas notícias da ditadura por anúncios, a Globo foi além, praticou assaltos a bancos como ninguém. No Banerj, após tomar um empréstimo favorecido, que se fosse aplicado no próprio Banerj (sem o dinheiro sequer sair do banco), a diferença entre o que deveria pagar e o que receberia pelo investimento renderia milhões e milhões. E em retribuição ao golpe, a Globo levou a diretoria do Banerj toda para trabalhar na própria Globo. O que valeu a Roberto Marinho o apelido de "O Maior Assaltante de Bancos do Brasil", título dado pelo jornal "O Pasquim".
Mas os assaltos a bancos não pararam por aí. Teve o Banco do Brasil, também com juros vergonhosamente subsidiados; teve o Banco Central com taxas subsidiadas e câmbio com valor de mais de quatro anos anteriores à importação de equipamentos; teve a Caixa Econômica cujo dinheiro, quase gratuito, foi tomado do trabalhador (FGTS) para construir o Projac; e o último escândalo foi o do BNDES em que a Globo pretende contar com o governo federal para a falência e quitar um passivo de mais de três bilhões de dólares. (Isso mesmo: três BILHÕES de dólares)
Escândalo é o que não falta na vida da Globo. Desde o simples caso de vender carro roubado, com chassis remarcado e quase causar a prisão do comprador, ao invés dos vendedores (os donos da Globo), provocando a surreal situação em que nem a polícia e nem o Detran quiseram (recusaram-se) apurar a venda de carro roubado e prender os culpados, mesmo diante das provas. Até os casos de perseguições pessoais, como o da Escola de Base e a família Shimada, destruída pelo noticiário falso da Rede Globo. Ou como as perseguições ao Bispo Macedo (IURD) por haver comprado a Rede Record de Televisão, ou a José de Paiva Netto, (LBV) por conseguir o canal de São Paulo que a Globo tanto queria para o seu canal Futura. Perseguição e covardia sempre foi o forte da Globo.
Escândalo? Isso é o que não falta na vida da Globo. Desde a própria existência do Ibope (que já é um escândalo por si só) e seus fajutos índices Fahrenheit que dão 32 pontos de audiência para a Globo mesmo com todos os televisores desligados em meio a um "black out", ou dos índices de popularidade nas eleições comandadas pela Globo, até a criminosa edição do debate Collor versus Lula, e que acabou elegendo Collor presidente da República. Isso sem falar no maior dos escândalos eleitorais do país, que foi o escândalo Globo-Proconsult, onde a divulgação da apuração dos índices da eleição eram adulterados e falsificados pela Proconsult e divulgados pela Globo, para impedir a eleição de Brizola no Rio de Janeiro, e que só foi tornado de conhecimento público graças à aferição dos verdadeiros índices pelo Instituto Pasqualini e pela denúncia de Bizola aos correspondentes estrangeiros, pois a imprensa nacional (como sempre) estava toda comprometida, submetida e controlada pela Globo.
Mas os dois maiores crimes da Globo, que poderiam levar Roberto Marinho para a cadeia por mais de 20 anos, conforme noticiado pela Tribuna da Imprensa sobre declaração do criminalista Paulo Goldrajch, ainda não foram citados aqui. Quais sejam: Os escândalos da TV Globo São Paulo e o da Afundação Roberto Marinho. Foram notas frias, caixa dois, sonegação fiscal, falsificações diversas de documentos, onde até recibos foram datilografados em máquina de escrever fabricada mais de dez anos após a data em que o recibo falso, frio, foi feito. Ou o caso do rol de pessoas notórias e conhecidas dadas como mortas para facilitar a compra de parte do poder acionário. Ou dos recibos frios de transações comerciais, com os respectivos CPF's nos recibos, quando naquela data sequer existia CPF, que somente foi criado mais de dez anos após a data dos recibos.
Para livrar Roberto Marinho da cadeia e impedir a CPI da Afundação (isso sem falar na CPI da NEC/Globo, que foi outro escândalo), as maiores autoridades do país se acumpliciaram: Superintendente da Polícia Federal ("Polícia Federal está na caixinha da Globo", manchete da Tribuna da Imprensa), Procurador Geral da República, Curador de Fundações, Procurador Geral do Estado, Ministro da Justiça, Secretário de Fazenda, Ministro da Fazenda, e até o próprio Presidente da República da época (José Sarney) que no interesse da Globo (e de roldão beneficiou bicheiros, traficantes e contrabandistas) publicou dois decretos permitindo legalizar todo dinheiro frio do país num determinado período de tempo, de interesse específico da Globo para esquentar seu dinheiro frio, denunciado publicamente. Tudo isso regado a uma fartura da distribuição de canais de televisão e estações de rádio que foram parar nas mãos dos deputados e senadores que após assinaram a lista de instalação da CPI, retiravam seus nomes da lista para impedir a instalação da CPI, conforme denunciado pelo Deputado Paulo Ramos, responsável pela coordenação da CPI da Afundação.
Como pode ser visto, os escândalos da Globo vão muito além de uma notícia falsa de "Diretas Já". A Rede Globo, como diz o jornalista Hélio Fernandes, é um grande supermercado, um balcão de negócios, onde tudo é negociado. Até mesmo a prostituição denunciada pela Globo em seus telejornais é feita no interesse de evitar a concorrência pela prostituição independente e preservar os seus anúncios "classificados" de prostitutas em páginas e mais páginas no jornal O Globo, anunciando garotos de programas, termas e casas de massagem.
Mas o que é a exploração e comercialização de anúncios da prostituição para quem sobreviveu graças à exploração de menores dos "pequenos jornaleiros", que faziam a distribuição e venda do jornal O Globo e garantiram a sobrevivência do jornal, eliminando, assim, o problema da distribuição? O que é tudo isso diante da exploração consentida de menores? Aliás, ligar escândalos e menores, nada mais significativo do que o escândalo do Papatudo, em que a "rainha dos baixinhos" (Xuxa) e o "embaixador da Unicef" (Didi) foram garotos propagandas e protagonistas de um dos maiores golpes financeiros deste país, que foi a venda dos bilhetes do Papatudo pelos Correios (Governo Federal) e com veiculação exclusiva e específica da Globo. ("Pede para a mamãe e o papai comprarem os bilhetes do Papatudo. O que falam do "titio" Artur Falk é tudo mentira")
Portanto, chega a ser risível ouvir alguém falar de "escândalo das Diretas Já". A Globo está mais para exploração de menores, associação à prostituição, assaltos a bancos, venda de carro roubado, notas frias, caixa dois, falsificações de documentos, contrabando, fraudes eleitorais, perseguições pessoais de desafetos e trambiques generalizados do que simplesmente uma equivocada divulgadora de notícias falsas e imprecisas sobre "Diretas Já".

A manipulação da informação

por Roméro da Costa Machado, escritor.

 

Certamente o leitor sabe que a Globo manipula informação e fabrica "verdades" nacionais de acordo com os seus interesses. Ora é apoiando a ditadura posicionando-se contra as "Diretas Já", mostrando o gigantesco movimento como sendo a festa de aniversário da cidade de São Paulo. Ora é interferindo na vida nacional editando o debate Lula e Collor, prejudicando Lula e beneficiando (elegendo) Collor. Ora é falseando a notícia do movimento pelas carteirinhas de estudantes, transformados em "Caras Pintadas" e criando o "Fora Collor", levando o país à comoção nacional e posteriormente seguido por toda a chamada "grande imprensa", pelo fato de Collor tentar (como presidente) destruir o império de Roberto Marinho, cortando toda a propaganda oficial da Rede Globo.

O leitor até sabe que o jornalista Hélio Fernandes batizou a Globo de "Supermercado", um balcão de negócios, onde o maior produto à venda é a notícia, e quase tudo mais está à venda. Mas o leitor sabe avaliar o alcance da interferência da Globo no noticiário nacional e o quanto há de manipulação em notícia veiculada pela Globo? Será que o leitor sabe mesmo identificar o que é notícia e o que não é?

No futebol, por exemplo. Você acha o Romário o maior jogador do Brasil depois de Pelé? Parreira é o melhor técnico do Brasil, por isso é o técnico da seleção? Zagallo é um vitorioso absoluto como jogador e como técnico?

Se você respondeu sim às três perguntas, é melhor avaliar melhor seus conceitos. Porque você está vendo demais a Rede Globo e está emburrecido com Galvonite Bueno aguda. Você está sendo manipulado pelas "informações" do torcedor Galvão Bueno (Torcedor sim, porque ele não é comentarista de futebol como Falcão ou Casagrande, não é comentarista de arbitragem como Arnaldo César Coelho e não narra o jogo como um Luciano do Valle. Apenas torce e interfere na política futebolística do país).

Romário, por exemplo, foi a maior, mais longa e mais desgastante campanha feita e bancada pela Rede Globo em torno de um jogador. Foi tanto o exagero dos interesses espúrios para fazer Romário jogar a copa do mundo que o assunto virou comoção nacional e quase que o técnico Felipão foi destituído do cargo por desobedecer a Rede Globo e não convocar Romário.

E quais as credenciais de Romário para jogar na seleção? Jogou no Flamengo onde o ídolo é o Zico. Jogou no Vasco onde o ídolo é o Roberto Dinamite. Jamais foi o grande ídolo dos clubes pelos quais jogou. Na Europa foi reserva e ficou no banco várias vezes até ser "devolvido" (vendido pela metade do preço) ao Brasil. Como artilheiro perdeu a artilharia para Dill, para Dimba, para Edmundo, para Washington e outros. Jamais ganhou uma Libertadores e jamais disputou um mundial interclubes. Não está entre os 50 melhores jogadores do mundo de todos os tempos e nem entre os 20 melhores jogadores do Brasil de todos os tempos.

Parreira é o técnico que nos cabe. Só isso, nada mais do que isso. Não podemos ter Telê, que está doente. Não podemos ter Felipão, que não quer mais a seleção da Globo. Não podemos ter o Wanderley Luxemburgo, porque a Globo não deixa (senão ela - Globo - faz campanha novamente, como fez, para tirar Wanderley da seleção). E aí... Sem poder contar com um técnico bom, temos que nos contentar com o que nos resta ou o que nos cabe, um Parreira qualquer, o técnico que chegou na seleção sem jamais ter ganho um campeonato brasileiro, sem jamais ter ganho uma Libertadores, sem jamais ter ganho um mundial interclubes. Todo o seu extenso currículo era um campeonatinho nas arábias, que ninguém viu. (Só foi ganhar campeonato brasileiro já em fim de carreira, após ficar desempregado, enquanto Felipão dirigia a seleção)

E Zagallo? Será que ninguém lembra da única copa que ele perdeu sozinho e não pôde voltar ao Brasil porque sua casa tinha sido apedrejada e ele corria risco de vida em aparecer por aqui? Surgiu como reserva do Babá, no Flamengo. No infortúnio do Babá, Zagallo virou titular. Na seleção era reserva do Pepe do grande time do Santos. No infortúnio do Pepe, Zagallo virou titular. A grande seleção de 70 foi toda armada e montada por João Saldanha. No infortúnio do Saldanha, Zagallo virou técnico titular. O grande título de Zagallo: Titular absoluto da desgraça alheia. Hoje em dia, sua maior proeza é fazer piadinha com o número treze: "Dane-se Zagallo", tem treze letras. Mas o "Dane-se" pode ser trocado por similar e continuar com treze letras.

Abra o olho leitor, raciocine, você anda vendo demais a Rede Globo, e raciocinando de menos, porque não há segmento de notícia, nem mesmo esportiva, que a Globo não manipule como se fosse informação.

A interferência da Globo na vida das pessoas

por Roméro da Costa Machado, escritor.

 

Muito mais do que as pessoas possam imaginar, a Globo interfere no dia-a-dia de cada uma das pessoas deste país. Às vezes até interfere positivamente, quando dá notícias - de verdade - como os demais veículos de comunicação. Mas na maioria das vezes interfere negativamente quando tenta impor as suas verdades e preferências como se fosse uma verdade incontestável e uma unanimidade nacional, ou, pior ainda, quando desencadeia campanhas de promoção de coisas do seu interesse ou de perseguições contra desafetos, como se fossem notícias verdadeiras.

É preciso ter muito discernimento para se "ler" e entender através das notícias. Perguntar se aquilo que está sendo noticiado é exatamente notícia de interesse geral, ou se existe algo além ou por detrás da notícia, cujo maior ou único interessado é a própria Globo.

Vejamos dois exemplos bem simples: futebol e samba. No futebol já abordamos os casos de campanhas sistemáticas como a de Romário (uma das maiores campanhas esportivas que a Globo já bancou, e que somente será esclarecido se um dia tivermos uma CPI - de verdade e pra valer - sobre futebol e negociações paralelas, desde as placas de publicidade de estádios até a valorização de passe de jogador colocado na mídia através de campanha). E outras campanhas alucinadamente desenvolvidas como as de Zagallo e de Parreira, onde a Globo passa a controlar por diversos meios nada mais nada menos do que a própria seleção brasileira.

No samba, a preferência clara e desavergonhada da Globo é pela Mangueira. Tudo de bom que acontece no samba é da Mangueira. Pela Globo o Rio de Janeiro inteiro ama a Mangueira, o Brasil inteiro ama a Mangueira. Mas por que Mangueira? Será porque é a escola de samba declaradamente não controlada por "patrono" (bicheiro) e que está permanentemente à mercê dos traficantes dos morros da Mangueira e Telégrafos?

Bem que a Mangueira poderia ter estampado na sua bandeira os símbolos de seus traficantes mais ilustres: Bagulhão, Ricardo Coração de Leão e Beato Salu. Seria a glória... No pavilhão do mestre-sala e porta bandeira: um "bagulhão", o cruzeiro e a coroa do Ricardo Coração de Leão que estão no alto do morro como símbolo permanente do tráfico e um roupão branco do "beato" Salu. (Será que se a Mangueira não fosse um morro de perigosos criminosos, como os três citados, seria defendido tão fervorosamente pela Globo? Por que a Globo defende e se alia tão veladamente ao tráfico de drogas?)

E em se falando em drogas, Cazuza é outro que mesmo depois de morto vive com o cadáver sendo arrastado pela Globo pelas ruas como se tivesse feito algo em vida que fosse digno de nota. Seus maiores atributos são a sua linhagem (filho de um dos donos da gravadora Som Livre, João Araújo), a sua arrogância e prepotência, sua assumida homossexualidade e a sua condição de drogado e viciado. E o mais espantoso é que, cinicamente, como se Cazuza tivesse sofrido um grande, cruel e covarde acidente acabou vítima da aids. E por isso, por conta disso, querem a todo custo transformar Cazuza num "poeta". (Mas que poeta? Poeta de quê? Cazuza é exemplo de quê? De homossexual? De aidético? De viciado?)

Os exemplos de como a Globo inventa mitos e destrói reputações não tem fim e não cabe em um único artigo. A interferência da Globo no dia a dia das pessoas é muito grande, são incontáveis os exemplos, vão muito além de futebol, samba, música e show. É preciso ter muito cuidado e discernimento para evitar que as notícias que a Globo veicula interfiram na vida e no dia a dia de cada pessoa. E uma das soluções clássicas, mais básicas, para evitar ser enganado pelas notícias da Globo é acreditar, por exemplo, na data do noticiário, desde que conferido antes, com o calendário.

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